Foto: CCS/ Prefeitura de Piracicaba
Multas podem chegar a até R$ 10.426
O Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto) emitiu de janeiro a novembro de
2021, 11.286 ordens de serviços de combate às fraudes. Deste total, 9.216 foram
emitidas pelo Semae e 2.070 pela concessionária Mirante, por meio da PPP
(Parceria Público-Privada). A irregularidade com mais registros é a religação
de água cortada por inadimplência, realizada sem o conhecimento do Semae, que
somam 7.951 ordens de serviços. Em 2020, o total de ordens de serviço para
verificação de fraudes foi de 7.015.
Fraude ou furto, mais popularmente conhecida como “gato na água”, é uma prática
criminosa passível de penalidade administrativa, bem como criminal, conforme
artigo 155, do Código Penal. A água é considerada um patrimônio público e
eventual artifício usado para alterar o consumo nos hidrômetros poderá ser
considerado furto qualificado pelo emprego de fraude. Ainda sim, muitas pessoas
ignoram a lei e cometem irregularidades no consumo, chegando, inclusive, a
danificar as redes da autarquia para se abastecer de forma fraudulenta,
provocando prejuízos para o Semae com perdas física e financeira, além de
correr o risco de contaminar a rede, ameaçando a qualidade da água distribuída.
“Essa prática de adulterar o sistema de fornecimento de água é enquadrada como
atentado contra o patrimônio. Ainda que o gato de água tenha sido realizado por
terceiros, quem é responsabilizado pela fraude é o usuário do imóvel. O
lançamento indevido na rede de esgoto também é considerado fraude”, esclareceu
Érica Pinazza, chefe de Divisão de Hidrometria do Semae.
Hd com cúpula perfurada - foto: CCS/ Prefeitura de Piracicaba
MULTA - O Semae possui uma Comissão de Combate às Irregularidades,
formada por servidores, cujo objetivo é orientar, solicitar informações e
coletar documentos acerca das irregularidades cometidas pelos usuários nas
ligações de água e esgoto, esclarecendo e adotando, no caso de constatação de
fraude nos sistemas, as penalidades previstas no Regulamento 137/2016 da
Agência Reguladora Ares-PCJ, após o devido processo administrativo. A
concessionária Mirante é a responsável na verificação das fraudes e
posteriormente envia os Termos para análise da Comissão do Semae.
De acordo com o Regulamento da Ares-PCJ, após constatada a irregularidade, o
usuário infrator será notificado por meio do Termo de Ocorrência para
apresentação de defesa, podendo, ao final, ser punido com multa de R$ 76 até R$
10.426, de acordo com a infração cometida, prejuízo causado e reincidência. Os
valores das multas são divididos conforme categoria do tipo da ligação, são
elas: residencial, comercial, industrial, horta e tarifa social. São classificadas
como leve, grave e gravíssima. De acordo com o Regulamento, as multas são
aplicadas da seguinte forma: Nas infrações leves o valor da multa é de 10 vezes
o valor da tarifa mínima da categoria do usuário, para as infrações
consideradas graves é 20 vezes o valor da tarifa mínima da categoria do
usuário, e para as infrações gravíssimas, a multa é de 100 vezes o valor da
tarifa mínima da categoria do usuário.
Em 2020, após deliberação da Comissão, foram aplicadas 267 multas por
irregularidades, totalizando R$ 231.318,00. De janeiro a novembro de 2021,
foram aplicadas 1.127 multas, totalizando R$1.092.104,80.
TIPOS - São várias as formas que o usuário encontra para fraudar. A
maioria das irregularidades são as unidades com abastecimento interrompido que,
ainda assim, apresentam consumo, ou seja, o usuário teve a água cortada por
inadimplência e religou a água sem solicitar ao Semae. Foram registrados 7.951
termos de ocorrência deste tipo.
Outro tipo de fraude é o uso de meios que impedem que o hidrômetro registre o
consumo. Nesse sentido, foram encontradas 388 ocorrências. Outras
irregularidades são cúpulas perfuradas, água ligada diretamente na rede,
hidrômetros invertidos, cavalete adulterado, além de fraude na rede coletora de
esgoto.
“Quando abordamos o assunto sobre fraude, vale lembrar dos danos com o consumo
excessivo e a contaminação da rede de abastecimento de água. Essa prática pode
gerar problemas em diversos fatores, como no meio ambiente e no cotidiano das
cidades”, explicou Mauricio André Marques de Oliveira, presidente do Semae.
Publicação: Enzo Oliveira/ Radialista Redator RMPTV