Foto: Reprodução Correios
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, apresentou nesta segunda-feira (29), em Brasília, um amplo plano de reestruturação para o triênio 2025-2027. Entre as medidas mais drásticas estão a previsão de fechamento de cerca de mil agências em todo o país e um Programa de Demissão Voluntária (PDV) com meta de atingir 15 mil funcionários nos próximos dois anos.
De acordo com o cronograma da estatal, 10 mil desligamentos devem ocorrer em 2026 e outros 5 mil em 2027. O objetivo central é retomar a lucratividade da companhia até 2027 e modernizar o modelo de negócio por meio de parcerias com a iniciativa privada. Entre janeiro e setembro deste ano, os Correios acumularam um prejuízo de R$ 6,1 bilhões.
Para viabilizar a reorganização e quitar compromissos atrasados, como salários e precatórios, a empresa firmou na última sexta-feira (26) um empréstimo de R$ 12 bilhões com um consórcio de cinco bancos (Bradesco, Itaú, Santander, Caixa e Banco do Brasil). O contrato tem prazo de 15 anos e conta com o aval do Tesouro Nacional.
Entretanto, Rondon informou que o montante não será suficiente. Segundo o executivo, os Correios precisarão captar mais R$ 8 bilhões em 2026 para sustentar os investimentos estratégicos previstos no plano. "O objetivo é preparar a companhia para um novo rito, garantindo a sustentabilidade a médio e longo prazo", afirmou o presidente.
O anúncio ocorre em meio a uma paralisação nacional dos trabalhadores, iniciada em 16 de dezembro. Na última sexta-feira, uma mediação conduzida pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) terminou sem acordo entre os sindicatos e a diretoria da empresa.
Uma nova rodada de negociações está marcada para a tarde desta segunda-feira, sendo considerada a última oportunidade para uma solução consensual. Caso o impasse persista, o dissídio coletivo — quando a Justiça define as regras de reajuste e condições de trabalho — será julgado nesta terça-feira (30).
Texto e Publicação Danilo Telles/Jornalista | Grupo Metropolitana