Foto: MPSP
Uma operação conjunta entre o Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Gaeco, e a Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (11), a Operação Linea Rubra. O objetivo é desarticular células da facção criminosa Comando Vermelho (CV) instaladas na região de Rio Claro, com foco no combate ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e homicídios motivados por disputas territoriais.
A investigação aponta que a organização criminosa é liderada por Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como "Bode", que figuraria como uma das lideranças da facção fluminense no interior de São Paulo. Calixto e seu braço-direito são considerados foragidos e estariam escondidos em comunidades sob o domínio da facção no Rio de Janeiro.
As diligências revelaram um esquema profissional de lavagem de capitais e logística. O grupo utilizava "carros cofre" com fundos falsos para o transporte de ilícitos e uma rede de empresas de fachada, como construtoras e consultorias, para movimentar recursos. O núcleo financeiro, que envolve familiares e empresários, operava contas em nome de laranjas para realizar transações via Pix e TED, dificultando a rastreabilidade. Em menos de um mês, a movimentação identificada superou R$ 1,19 milhão.
A Justiça determinou o sequestro de R$ 33,6 milhões em contas bancárias, além do bloqueio de ativos de 35 pessoas físicas e jurídicas. Também foram sequestrados 12 imóveis e 103 veículos ligados ao grupo.
A operação mobilizou 120 policiais civis — incluindo equipes da DEIC Piracicaba —, três promotores de Justiça e auditores da Secretaria da Fazenda. Ao todo, foram expedidos:
- 26 mandados de busca e apreensão em cidades de São Paulo e Minas Gerais;
- 19 mandados de prisão preventiva, dos quais cinco foram cumpridos nesta manhã;
- Seis alvos da operação já se encontravam no sistema prisional.
O nome "Linea Rubra" (linha vermelha) faz referência ao limite estabelecido pelas instituições estaduais contra o avanço territorial da organização criminosa no Estado, que buscou expandir seu domínio após a desarticulação de grupos rivais em 2023.
Texto e Publicação Danilo Telles/Jornalista | Grupo Metropolitana