Tocando Agora: ...

USP PIRACICABA ANUNCIA NASCIMENTO DO PRIMEIRO PORCO CLONADO NO BRASIL; AVANÇO VISA TRANSPLANTES EM HUMANOS

Publicada em: 06/04/2026 09:53 -

Foto: Divulgação

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) celebraram o nascimento do primeiro porco clonado no país, um marco científico para o desenvolvimento de transplantes de órgãos entre espécies diferentes, técnica conhecida como xenotransplante. O animal nasceu saudável, com 2,5 kg, em um laboratório do Instituto de Zootecnia (APTA/SAA), em Piracicaba, no interior paulista.

O domínio da técnica de clonagem é a segunda etapa de um projeto ambicioso do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante da USP, idealizado pelo professor Silvano Raia. O objetivo final é criar uma linhagem de animais cujos órgãos sejam compatíveis com o corpo humano, auxiliando na redução da fila de espera por transplantes no Brasil, que hoje conta com cerca de 48 mil pessoas.

A semelhança entre os órgãos suínos e humanos é conhecida desde a década de 1960, mas as pesquisas foram interrompidas no passado devido à rejeição aguda do organismo receptor. Para superar esse obstáculo, os cientistas brasileiros utilizam a tecnologia CRISPR-Cas9, descrita como uma "tesoura molecular", para editar o DNA do animal.

O processo envolve duas frentes principais:

  • Desativação de genes: Identificação e desligamento de três genes suínos que causam a rejeição imediata em humanos.
  • Inserção de genes humanos: Introdução de sete genes humanos nos óvulos para aumentar a aceitação do órgão pelo sistema imunológico do paciente.

Embora laboratórios internacionais já utilizem a técnica, a taxa de eficiência da clonagem suína é baixa, variando entre 1% e 5%. "Testamos vários protocolos e questões técnicas diferentes até que, finalmente, conseguimos", destacou Ernesto Goulart, pesquisador principal e professor da USP.

Até este estágio, a clonagem foi realizada com porcos normais para validar o processo de gestação. O sucesso atual abre caminho para a próxima fase: clonar embriões que já possuam as modificações genéticas necessárias para os testes de transplante.

Um dos grandes diferenciais da pesquisa nacional é o foco na acessibilidade. Segundo o coordenador do centro e professor da USP, Jorge Kalil, desenvolver a tecnologia no Brasil é vital para garantir que o tratamento chegue à população através do SUS.

"O preço da importação de um órgão desses seria impossível. Queremos atender a população brasileira", afirmou Kalil. Os próximos passos incluem a realização de estudos pré-clínicos e, futuramente, testes clínicos para que o xenotransplante se torne uma rotina na medicina brasileira.

Texto e Publicação Danilo Telles/Jornalista | Grupo Metropolitana

Compartilhe:
COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!
Carregando...