Foto: Assessoria Parlamentar
Uma pesquisa inédita realizada pela Apeoesp aponta alto índice de adoecimento entre trabalhadores da educação e da saúde no serviço público estadual, sendo que 97,6% dos profissionais da educação e 81,1% da saúde associam o problema de adoecimento mental às condições de trabalho. A pesquisa, apresentada nesta última terça-feira, cinco de maio, no auditório Walter Barelli do DIEESE, é fruto da Frente Parlamentar em Defesa da Saúde e dos Direitos do Funcionalismo Estadual, coordenada pela deputada estadual Professora Bebel, e foi realizada em parceria com a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), AFUSE (Sindicato dos Funcionários da Educação do Estado de São Paulo), e SindSaúde-SP (Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo), e contou com o apoio técnico do Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, e contribuição da Fundacentro, que apresentou dados comparativos sobre afastamentos e licenças por motivos de saúde.

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Para a deputada Professora Bebel, primeira presidenta licenciada da Apeoesp, os resultados acendem um alerta importante sobre o impacto das condições de trabalho na vida de quem sustenta os serviços públicos. É que entre trabalhadores da Educação, no item saúde mental no trabalho, 52,8% tiveram problemas mentais nos últimos cinco anos, enquanto que ansiedade e pânico atingiram 41,0% dos entrevistados. Já distúrbios do sono: 33,5%; depressão: 29,8%; burnout: 19,9% e 24,8% se afastaram do trabalho por saúde mental. Já entre trabalhadores da saúde 44,5% tiveram problemas mentais; ansiedade/pânico atingiram 29,4%; distúrbios do sono: 31,9%; depressão: 25,2%; burnout: 12,6% e 16% se afastaram do trabalho por saúde mental.
Segundo esse estudo, 60,3% dos servidores da educação se licenciaram por problemas de saúde, enquanto que na saúde foram 54,5%. Entre as doenças físicas estão dores nas costas, no pescoço, nas articulações, incluindo LER (Lesão por esforço Repetitivo). Já os distúrbios mais frequentes são ansiedade ou pânico, insônia e depressão. 82% dos profissionais da educação relacionam esses problemas de saúde ao ofício e 97,6% ao mental. Na saúde, 72,3% atribuem às atividades da profissão e 81,19% ao mental.
No item adoecimento físico, entre os profissionais da educação, 80,2% associam ao trabalho, enquanto que na saúde 72,3% fazem esta associação. Entre os principais problemas citados estão dores musculares e articulares, problemas de coluna, pressão e problemas cardíacos, e problemas gastrointestinais.

Foto: Assessoria Parlamentar
Para a presidenta licenciada da Apeoesp, os números mostrados pela pesquisa revelam uma transformação nas relações de trabalho no setor público. “Quando quase a totalidade dos profissionais da educação associa o adoecimento mental ao trabalho, isso não pode ser tratado como algo pontual, é um problema estrutural que precisa ser enfrentado”.
Ao encerrar o lançamento da pesquisa sobre as Condições de Trabalho e Saúde do Funcionalismo no Estado de São Paulo, apesar de dizer que há a sensação de dever cumprido, a deputada Professora Bebel diz que esse trabalho, no entanto, apenas começou. “Agora, vamos divulgar os dados para o funcionalismo e para a sociedade, porque o adoecimento dos servidores públicos impacta o atendimento dos serviços públicos a quem mais precisa. O trabalho vai continuar. Vamos ampliar parcerias com a Fundacentro, o DIEESE, entidades do funcionalismo e outras instituições para fortalecer nossas lutas e também as iniciativas da nossa frente parlamentar. Nesse processo, precisamos fortalecer o nosso IAMSPE, alvo de constantes ataques do governo Tarcísio e de governos estaduais anteriores”, disse.
Texto: Vanderlei Zampaulo/Jornalista
Publicado por Danilo Telles/Grupo Metropolitana