Arte/CCS Prefeitura de Piracicaba
A Câmara Municipal de Piracicaba aprovou, em duas votações realizadas em sessões ordinária e extraordinária na noite de quinta-feira (14), o projeto de lei 82/2026, de autoria do Poder Executivo. A proposta autoriza o município a desafetar duas áreas de sua propriedade, que somam 25.302 metros quadrados, localizadas às margens da Rodovia Luiz de Queiroz (SP-304), entre os quilômetros 169 e 170. O terreno será integrado ao sistema viário municipal para viabilizar a construção de uma nova interligação na região norte da cidade.
O objetivo da Prefeitura é implantar uma via de acesso entre a região de Santa Teresinha e a Avenida das Ondas, incluindo a construção de uma ponte sobre o Rio Piracicaba. A obra, que cruzará o Parque Natural Municipal do Distrito de Santa Teresinha – Chico Mendes, será custeada com verbas do governo estadual e aproveita as intervenções de remodelação que a concessionária Eixo SP realiza na rodovia SP-304, com novos viadutos nos quilômetros 169 e 171.
Na justificativa do projeto, o prefeito Helinho Zanatta (PSD) apontou que os bairros Santa Teresinha e Vila Sônia apresentam alta densidade populacional, mas sofrem com o número restrito de travessias sobre o rio. De acordo com o Executivo, a principal ponte existente na região opera atualmente perto do limite de saturação e a nova interligação pretende redistribuir o fluxo de veículos, melhorar a fluidez do trânsito e otimizar o transporte público.
O traçado da nova pista foi detalhado em audiência pública no último dia 6 e prevê a conexão com a Avenida das Ondas na rotatória do Residencial Vitória Régia. O Executivo argumentou que os estudos técnicos selecionaram o trajeto de menor impacto ambiental e socioeconômico. A faixa de intervenção será limitada a 32 metros de largura e passará predominantemente por áreas com vegetação em estágio inicial de regeneração, evitando desapropriações em perímetros urbanos consolidados.
Como medida de mitigação no Parque Natural Chico Mendes, a prefeitura prevê a construção de estruturas elevadas (pontes e viadutos) nos trechos considerados Área de Preservação Permanente (APP). Segundo o projeto, o modelo reduz a necessidade de aterros e preserva a dinâmica hidrológica local. O município informou que as interferências florestais serão submetidas a um processo de compensação ambiental por meio do plantio de espécies nativas.
As áreas afetadas pelo projeto haviam sido adquiridas pelo município em 1998 para receber um sistema de tratamento de água e esgoto, mas acabaram incorporadas ao parque natural por meio de um decreto em 2004. Durante a votação na Câmara, o texto recebeu 18 votos favoráveis em primeira discussão e 17 no segundo turno. Em ambas as votações, foram registrados três votos contrários e uma abstenção.
Texto e Publicação Danilo Telles/Jornalista | Grupo Metropolitana | Com Informações da Câmara de Piracicaba