Foto: Pablo Jacob/Governo de São Paulo
O Instituto Adolfo Lutz (IAL) confirmou, neste sábado (30), o diagnóstico de meningite meningocócica em um homem de 37 anos que está internado sob isolamento na capital paulista. O paciente, vindo da República Democrática do Congo, havia sido classificado inicialmente como caso suspeito de infecção pelo vírus Ebola. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), os exames laboratoriais e genômicos para rastrear o Ebola e outros vírus continuam em andamento, e o paciente segue sob protocolos rígidos de biossegurança no Instituto de Infectologia Emílio Ribas.
O homem apresentou febre após retornar recentemente do país africano, que enfrenta um surto de Ebola pela cepa Bundibugyo, preenchendo os critérios clínicos e epidemiológicos de alerta. O exame de reação de qPCR do Adolfo Lutz identificou a presença da bactéria Neisseria meningitidis, causadora da meningite. Mesmo com a descoberta, as autoridades de saúde informaram que a investigação preventiva para o vírus do Ebola não será interrompida até a conclusão total das análises específicas de diagnóstico diferencial.
De acordo com a coordenadora de Controle de Doenças da SES-SP, Regiane de Paula, a manutenção do monitoramento faz parte do protocolo padrão. Na última semana, o estado atualizou suas diretrizes de vigilância e fluxos de atendimento para a rede de saúde em decorrência do cenário internacional. O Instituto Emílio Ribas é a unidade de referência designada para o manejo desses casos em São Paulo, tendo atuado de forma semelhante em 2014, quando monitorou e descartou três suspeitas no estado.
Avaliação de risco e orientações
A Secretaria da Saúde avalia que o risco de introdução do vírus Ebola no Brasil e na América do Sul continua classificado como "muito baixo". A análise técnica leva em conta a ausência de voos diretos entre as regiões afetadas pelo surto e o continente sul-americano, o histórico de transmissão zero na região e a própria dinâmica do vírus, que não é transmitido por pessoas assintomáticas e exige o contato direto com sangue ou fluidos corporais de pacientes com sintomas manifestados.
Ainda assim, a recomendação oficial é que hospitais e prontos-atendimentos fiquem atentos a pacientes que apresentem febre e relatem histórico de viagem para as áreas de circulação do vírus nos últimos 21 dias. A doença pelo vírus Ebola tem início súbito, com sintomas que incluem febre alta, dores de cabeça e musculares, vômitos e diarreia, podendo evoluir para quadros hemorrágicos graves.
Atualmente, não existem vacinas aprovadas ou terapias específicas com eficácia comprovada para a variante Bundibugyo, responsável pelo surto atual na República Democrática do Congo, uma vez que os imunizantes existentes no mercado foram desenvolvidos para a cepa Zaire. Casos considerados suspeitos na rede de saúde devem ser notificados imediatamente de forma compulsória às vigilâncias municipais e ao Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE).
Texto e Publicação Danilo Telles/Jornalista | Grupo Metropolitana