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MINISTÉRIO DA SAÚDE SUSPENDE TEMPORARIAMENTE VACINA CONTRA A DENGUE DO BUTANTAN APÓS REGISTRAR DOIS ÓBITOS

Publicada em: 08/06/2026 18:07 -

Foto: Divulgação/Instituro Butantan

O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (8), a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan em todo o território nacional. A medida de precaução foi adotada após a notificação de 42 casos de reações adversas severas inesperadas entre os imunizados, que resultaram em três internações e duas mortes.

De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a interrupção da campanha visa dar tempo para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o ministério e o Butantan aprofundem as investigações por meio de um estudo de caso-controle. O objetivo é identificar possíveis fatores de risco individuais ou preexistentes nos pacientes afetados. A pasta ressaltou que a decisão não anula a eficácia do imunizante e que mantém total confiança na capacidade institucional do laboratório paulista.

A paralisação atinge exclusivamente o imunizante do Instituto Butantan, incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em janeiro deste ano. A aplicação da vacina Qdenga, produzida pelo laboratório japonês Takeda e também ofertada na rede pública de saúde, segue ocorrendo normalmente, sem alterações no cronograma.

Até o dia 30 de maio, pouco mais de 500 mil doses da vacina do Butantan haviam sido aplicadas no país. O projeto-piloto de monitoramento populacional estava concentrado nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e na região de Araguaína (TO), com foco em pessoas de 15 a 59 anos. Em fevereiro, o imunizante também começou a ser direcionado a profissionais da atenção primária à saúde, grupo no qual foram identificados os quadros mais graves.

O sistema de farmacovigilância reportou que 3.703 pessoas (0,7% do total de vacinados) manifestaram sintomas leves semelhantes aos da dengue. Contudo, 42 indivíduos evoluíram para sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes ou sangramentos — episódios considerados raros (0,008%), mas que não haviam sido relatados nas etapas de testes clínicos da vacina.

As três complicações graves envolveram profissionais da linha de frente:

  • Mulher de 39 anos: apresentou febre e dores musculares seis dias após a dose, evoluindo para choque. Precisou de tratamento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas recebeu alta médica.
  • Mulher de 48 anos: desenvolveu comprometimento neurológico (meningoencefalite) 19 dias após receber a vacina e faleceu.
  • Homem de 58 anos: apresentou febre cinco dias após a vacinação e evoluiu rapidamente para um quadro de choque refratário, vindo a óbito.

As autoridades de saúde informaram que as pessoas imunizadas com o lote do Butantan nos últimos 21 dias passarão por um monitoramento especial. O Ministério da Saúde orienta que os cidadãos que receberam a dose procurem atendimento médico imediato caso notem o surgimento ou o agravamento de sintomas como febre, dores abdominais contínuas, tontura, sangramentos, sonolência excessiva ou desidratação.

Texto e Publicação Danilo Telles/Grupo Metropolitana

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