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SAIBA QUEM É AMAURI SILVEIRA: PROMOTOR ALVO DE UM PLANO DE ASSASSINATO DO PCC

Publicada em: 09/06/2026 17:12 -

 

Foto: Divulgação

O promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Campinas (SP) e alvo de um plano de assassinato articulado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), acumula um histórico de investigações de grande repercussão e ameaças de morte ao longo de sua trajetória no Ministério Público de São Paulo (MPSP). O plano contra o promotor motivou a deflagração da Operação Infiltrados nesta terça-feira (9), que prendeu um ex-estagiário do órgão, um investigador e um policial penal suspeitos de envolvimento no esquema.

 

Esta não é a primeira vez que a atuação do promotor atrai retaliações. Em 2013, Silveira Filho recebeu uma carta com ameaças de morte assinada com o pseudônimo “chumbo grosso com munições”. O documento continha dados pessoais sigilosos, além de fotografias detalhadas de sua residência e de membros de sua família. Na ocasião, o texto também fazia menção a outro promotor de Justiça do estado.

Foto: Reprodução/SAP/Governo de SP

 

Entre as investigações de maior impacto conduzidas pelo integrante do Gaeco está a apuração que desmantelou uma rede de corrupção envolvendo 13 policiais civis — incluindo delegados, investigadores, escrivães e carcereiros — e 10 traficantes ligados a Wanderson Nilton de Paula Lima, o "Andinho".

 

Segundo os autos do MPSP, os agentes públicos lotados no Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e em delegacias locais vazavam informações sobre operações oficiais, facilitavam a atividade criminosa na região e extorquiam os traficantes em troca de propina. A investigação apontou que Andinho mantinha a liderança da estrutura mesmo cumprindo pena em um presídio de segurança máxima desde 2002. Em julho de 2013, um aliado do detento foi preso suspeito de planejar ataques contra os promotores do caso.

 

Na área do patrimônio público, Silveira Filho atuou na apuração de fraudes contratuais e pagamento de propina na Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) de Campinas, deflagrada em 2011. O esquema envolvia o superfaturamento de contratos públicos, fraude em licitações e divisão de lucros ilícitos entre políticos, empresários e servidores municipais.

 

O desdobramento político do caso resultou na cassação do então prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos, por meio de processo de impeachment. O vice-prefeito, Demétrio Vilagra, que assumiu o cargo executivo logo em seguida, também acabou afastado das funções pelas denúncias da promotoria.

 

O plano recente de execução contra o promotor gerou os mandados de prisão temporária cumpridos nesta terça-feira (9). Conforme os dados divulgados pelo Gaeco, o grupo monitorado contava com um ex-estagiário infiltrado no Ministério Público para extorquir criminosos e um investigador da Polícia Civil de Campinas. Vídeos apreendidos pelos investigadores mostram que o policial se reuniu com um dos mentores da execução uma semana antes de o atentado ser frustrado, em agosto do ano passado. A Polícia Civil e o Gaeco investigam a extensão do vazamento de dados sigilosos para a facção criminosa.

Texto e Publicação Danilo Telles/Jornalista | Grupo Metropolitana

 

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