Foto: Redes Sociais/Reprodução
A ex-primeira-dama e presidente nacional do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, afirmou em vídeo publicado em suas redes sociais nesta quarta-feira (24) que foi desrespeitada e maltratada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) durante uma conversa telefônica. O desentendimento ocorreu no contexto de divergências internas sobre a montagem do palanque do Partido Liberal no Ceará para as eleições de 2026.
Segundo o relato de Michelle, o parlamentar a tratou de forma ríspida ao retornar uma ligação e sugeriu que ela não deveria interferir nas decisões da legenda. Michelle afirmou que Flávio declarou que ela havia "chegado ontem" e "não entendia nada de política", o que ela classificou como uma humilhação. A ex-primeira-dama respondeu que aceitaria se afastar das tratativas após o episódio.
O estopim do conflito foi o posicionamento de Michelle contra a aproximação e provável aliança de lideranças do PL cearense com Ciro Gomes (PSDB) ainda no primeiro turno da disputa pelo governo estadual. A ex-primeira-dama defende publicamente que o campo da direita apoie a pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao Executivo do Ceará.
No vídeo, Michelle argumentou que sua oposição ao nome de Ciro Gomes baseia-se em critérios de coerência política, relembrando críticas anteriores feitas pelo político cearense contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ela classificou como contraditório o apoio a um nome que, segundo sua avaliação, colaborou para o cenário que culminou na inelegibilidade do ex-mandatário.
A presidente do PL Mulher também apontou que os filhos de Jair Bolsonaro agiram de maneira conjunta e premeditada ao rebaterem suas críticas publicamente, utilizando textos com teor semelhante nas redes sociais.
Ao responder aos questionamentos sobre sua experiência na articulação política, Michelle destacou sua gestão à frente do braço feminino do partido. Ela pontuou que viajou pelas 27 unidades federativas para estruturar diretórios locais e mencionou a participação na campanha que elegeu 1.005 mulheres no pleito municipal de 2024.
Por fim, a ex-primeira-dama rechaçou boatos de que estaria fazendo exigências por cargos ou pedidos formais de desculpas, reforçando que o atrito com o senador está restrito à falta de respeito e consideração no trato institucional. O episódio joga luz sobre as divisões estratégicas que o grupo político enfrenta na definição de alianças regionais para o próximo ciclo eleitoral.
Texto e Publicação Danilo Telles/Jornalista | Grupo Metropolitana