Foto: Federico PARRA / AFP via Getty Images
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmou que dois cidadãos brasileiros — um homem e uma mulher — morreram em decorrência dos fortes terremotos que atingiram o norte da Venezuela no fim da tarde da última quarta-feira (24). Em nota oficial, o Itamaraty informou que o governo federal está prestando assistência consular às famílias das vítimas e que, em respeito ao direito à privacidade, não divulgará os dados pessoais dos falecidos.
De acordo com fontes diplomáticas, os brasileiros não pertenciam à mesma família e morreram em desabamentos de estruturas em locais diferentes. Uma das mortes foi registrada em Caracas, capital do país, enquanto o segundo caso segue sob apuração das autoridades locais. Estima-se que cerca de 13 mil brasileiros residam atualmente em território venezuelano. Até o último balanço divulgado pelo governo da Venezuela, a tragédia contabilizava 235 mortes confirmadas e cerca de 4.300 feridos.
Em decorrência do desastre, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o envio de uma missão humanitária de busca e resgate urbano para auxiliar o país vizinho. Uma aeronave KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) decola na manhã desta sexta-feira (26) do Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) com destino à Venezuela.
A equipe brasileira é composta por 36 bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de quatro técnicos da Defesa Civil Nacional e quatro especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O voo transportará nove toneladas de equipamentos especializados para a localização de vítimas sob escombros. Um segundo avião militar está previsto para partir no sábado (27), levando insumos médicos, 100 purificadores de água movidos a energia solar e estruturas para a montagem de um hospital de campanha.
Os abalos sísmicos ocorreram em um intervalo de apenas 39 segundos. O primeiro tremor registrou magnitude 7,2 perto de San Felipe, seguido por um segundo sismo de magnitude 7,5 na região de Yumare, ambos a baixa profundidade. A região costeira de Morón e o estado de La Guaira foram apontados como as áreas com maiores níveis de destruição.
O impacto generalizado derrubou edifícios, afetou a operação de pelo menos oito hospitais e causou danos na estrutura do Aeroporto Internacional de Maiquetía, o principal do país. Embora a Venezuela registre atividade sísmica por sua posição geográfica, especialistas apontam que a intensidade combinada dos dois tremores foi atípica, assemelhando-se historicamente aos eventos registrados em Cariaco (1997) e Caracas (1967).
Texto e Publicação Danilo Telles/Jornalista | Grupo Metropolitana